domingo, 5 de abril de 2015

Os mistérios da Páscoa 
 Agora é diferente, virou venda frenética de chocolates, pacote turístico, meia dúzia de filmes bíblicos na TV (Victor Mature, Deborah Kerr, Jean Simmons). Mas naquele período jurássico quando nasci e cresci, Semana Santa era coisa séria. Não apenas séria, mas misteriosa. Mais que misteriosa, até um pouco aterrorizante.  Vários e vagos mistérios, alguns até hoje não esclarecidos. Não se podia comer carne – e não só na Sexta Feira Santa, não, que hoje fazem um bacalhauzinho e pronto. A semana toda ninguém comia carne. “O corpo de Cristo”, diziam, e era inevitável se sentir meio canibal só de pensar num bom bife. Havia também a obrigação do silencio. Não se podia brincar barulhento demais, rir muito alto, tinha-se que manter ar contrito, enlutado. Cantar então era sacrilégio brabo principalmente na Sexta Feira quando não se podia nem ligar o rádio. Mas se o rádio continuava funcionado e tocando musica, porque não se podia ligá-lo?  E os donos das rádios por que perdiam tempo com as emissoras no ar se era proibido sintoniza-las?  De que adianta uma radio no ar se ninguém escuta?  Não havia resposta. Havia isto sim silêncios demais nas semanas santas de antigamente. “Jesus morreu” era a única resposta. E lá estavam na igreja os santos todos cobertos de panos roxos e pretos, assustadores. Na Sexta (e porque 'da Paixão', ninguém explicava) uma mórbida, lívida estátua de Cristo dentro de um caixão de vidro.  Me fascinavam as gotas de sangue, rubis sobre a pele.  Muitas vezes tive a tentação de arrancar uma com a unha, guarda-la só para mim. O medo do pecado mortal era o que me detinha. No dia em que Cristo está morto , diziam, cada pecado multiplicava-se por mil, pois era também o dia em que o demônio estava solto. E com a corda a toda poderosíssimo. Na Sexta Feira Santa tinha-se que andar na ponta dos pés, falar em voz muito baixa e não cometer absolutamente nenhum pecado – mesmo os mais bestas, tipo espetar bumbum de formiga com agulha de costura – para não atrair o demônio. Com ele solto os pecados normalmente leves tinham sua gravidade multiplicada, eram capazes de arrastar alguém ao fogo dos infernos por toda a eternidade. No Sábado de Aleluia, Jesus ressuscitava. Podia-se começar a gritar, a cantar, a dizer palavrão, enfim, pecar a vontade outra vez. Mas ninguém explicava porque toda aquela tristeza do dia anterior se todo mundo sabia que Cristo acabaria ressuscitando no dia seguinte.  Era puro fingimento? Hoje sei, era mesmo. Ou não fingimento, mas liturgia, rito. Mistério maior era no domingo, acordar cedo para procurar pela casa todos os ninhos feitos em caixas de sapato com papel de seda, palha e cola de farinha de trigo danada pra embolar. Os ninhos estavam cheios de ovos de chocolate deixados pelo coelhinho da Páscoa. Ótimo, claro, que criança não gosta de se empapuçar de sugar blues?  Mas ninguém nunca explicava qual a relação entre morte e ressurreição de Cristo com ovos de chocolate. E muito menos com coelhos. Galinha da Páscoa seria mais lógico, ou pata, vá lá. Agora coelho? E tem mais, não era coelha, era coelho mesmo. Coelho então também bota ovo? Só na Páscoa talvez. Ou talvez apenas faça ovos, não ponha, eu refletia. Eu refletia muito naquele tempo.  Nos anos seguintes devo ter perguntado sobre isso e até mesmo ouvido uma resposta satisfatória. Vagamente na minha cabeça, ronda uma lenda qualquer, talvez polonesa. Ou quem sabe misturo isso àquela tradição polonesa de pintar ovos de Páscoa (alias tenho um lindo que ganhei em Curitiba). Acho que não prestei atenção. Pelo menos não lembro  de nada. Também não quero que me expliquem agora. Tem muita coisa que francamente, cá entre nós, não faço mesmo questão de saber.  
(A última Páscoa de Caio F., in O Estado de SP,15 de abril de 1995).
Foto: Androcles e o Leão, Jean Simmons e Victor Mature)

sábado, 4 de abril de 2015

De volta para o futuro

Depois de sumir por alguns anos, 7 para ser exata, aqui estou eu de novo, louca pra conversar com vocês. Louca mesmo, porque uma pessoa que cria um blog e some por sete anos não está muito bem da cabeça. Mas o Candé Salles falou tanto, tanto, que eu tinha que ter um blog que eu resolvi tomar juízo e voltar aqui. Bom, to make a long story short, desses sete anos que andei sumida , vale a pena registrar o seguinte: sim, em 2009 eu publiquei o livro "Para sempre teu Caio F." hoje na quarta edição, e comecei a trabalhar num documentário de mesmo nome que foi lançado em 2014 e até já recebeu o premio de melhor filme do Festival MIX Brasil de Cinema. UHUUU! Acho que isso justifica o meu silencio, não? Candé Salles, mencionado acima, dirigiu o filme e viramos parceiros na arte de fazer filmes, festas, amigos, viagens and what not. Ando feliz, sete anos mais velha por fora e sete anos mais jovem por dentro, acreditem, é possível. É só fazer o que gosta, curtir pessoas que também gostam e sair por aí gostando. Bom, por hoje é isso. Abaixo, texto que publiquei no meu Face e que tem tudo a ver com esse momento:
Quando os japoneses reparam objetos quebrados, eles enaltecem a área danificada preenchendo as fissuras com ouro. Eles acreditam que, quando algo sofre um dano e tem uma história, torna-se ainda mais bonito.A arte tradicional japonesa de reparação de cerâmica quebrada com um adesivo forte e spray, imediatamente após a cola, com pó de ouro, chama-se Kintsugi. O resultado é que as cerâmicas não são apenas reparadas mas tornam-se ainda mais fortes do que seu estado original. Em vez de tentar esconder as falhas e fissuras, estas são acentuadas e celebradas como as que se tornaram, agora, as partes mais fortes da peça. Kintsukuroi é o termo japonês para a arte de reparar com laca de ouro ou prata, o que significa que o objeto é mais bonito por ter sido quebrado. Levemos essa imagem para o terreno do humano, ao mundo do contato com as pessoas que amamos e que, às vezes, ferimos ou nos ferem. Quão importante é a reparação! E como é fundamental entender que os vínculos fissurados ou quebrados e nossos corações machucados, podem ser reparados com os fios dourados do amor e se tornarem mais fortes. A idéia é que quando algo valioso se quebra, um bom caminho a seguir é não esconder sua fragilidade nem sua imperfeição, mas sim repará-lo com algo que toma o lugar do ouro - vigor, virtude, perdão... Isso mostra as imperfeições e fragilidades, mas também é uma prova de resiliência: a capacidade de recuperar-se algo digno de muita consideração. Feliz Páscoa!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

É só ler os sinais

Hoje acordei decidida: vou comprar uma calça jeans. Acho que não existe roupa mais versátil e elegante. Tarefa das mais elevadas comprar jeans. Leva-se quase uma vida inteira para descobrir o par de jeans perfeito. E foi pensando na perfeição dos jeans que queria comprar que pulei da cama e fui até a cozinha fazer café, acho que eram seis da manhã. Adoro acordar cedo: vejo pássaros bicando coquinhos, desencavando minhocas no meu jardim, beija flores e abelhas sugando as flores rosadas da trepadeira, uma beleza. E moro em São Paulo, onde o índice de poluição certos dias do ano pode chegar a níveis alarmantes. Mas estamos em Pinheiros, aquela várzea chique. No pollution, only skies. Olho pela janela, com faro meteorológico, para ver se o céu está nublado ou azulzinho, e se dá para levar minha filha no cursinho de havaianas ou se é caso de usar galochas, capa de chuva e bote de borracha para enfrentar as enchentes. Havaianas, respirei aliviada, cor de laranja, decidi, inspirada por um céu colorido. Cor de laranja? O céu parecia estar pegando fogo. Depois de uma olhada meio distraída, olhei de novo e achei que era o dia do juízo final: abri a porta da cozinha, que dá para o jardim, olhei para o céu e gente, quase chorei. Corri, chamei minha filha, pois sei que, tal como a paixão, maravilhas da natureza duram pouco. Que arco íris incrível: decretamos juntas. E não era um só, eram dois! Semiconcêntricos, pois que são semicirculares e aquelas cores todas, roxos, rosas, amarelos e laranjas afogueados... Admiti, humilde: deus existe.Derramei um café fumegante na caneca,  passei coalhada seca numa torrada e independente de geometrias ou teogonias, filosofei em alemão: a vida é linda und hoje vai ser um dia especial. É preciso saber ler os sinais. Um dia que começa com dois arco íris no seu quintal vai acabar no mínimo, num pote de ouro. Se eu ao menos imaginasse onde tudo isso ia dar. Fui fazer minha sessão de acupuntura, e como sempre, com aquelas agulhinhas matreiras espetadas em alguns chacras especiais, mergulhei naquele túnel escuro que fica dentro dos olhos e tentei focar numa luz brilhante bem no centro de tudo. Dormi. Believe it or not. Não vi arco-íris, nem espectro solar, nem estrelas: apenas dormi. O dia seguiu feliz, sem congestionamentos, sem telefonemas chatos, Madeleine Peyroux cantando no carro, vou visitar uma amiga que tem uma tartaruga centenária, grande como uma roda de caminhão. Sei lá porque, olhando o animal pré-histórico perdido no jardim, lembrei-me das sessões de calatonia que fazia com Ione, minha terapeuta querida, que já partiu há tantos anos e deve estar fazendo terapia para os anjos no paraíso.Mercado, maçãs, leite, biscoito, detergente, caixa eletrônico, almoço, espinafre, morangos e finalmente chega a hora tão esperada: vou comprar meus jeans. Dou um duro danado para convencer a dona da fábrica – que só vende no atacado – a me vender no varejo. As calças são tão legais e o preço tão bom, ela topa vender, não resisto. Felicidade é uma calça azul e desbotada, sabe como é. Saindo da loja, parece que o mundo vai desabar: do nada, começa a chover muito forte. Entro no carro, adoro dirigir debaixo de chuva, tipo Ayrton Senna. Curva para a esquerda, desvio de um ciclista à direita, e para minha alegria, a chuva é de granizo. Adoro ver as pedras de gelo branquinhas batendo no vidro do carro, e ficar imaginando como foi que a chuva congelou. A chuva dura apenas alguns instantes: o céu volta a brilhar tão depressa que quando menos espero, surge, deslumbrante, atrás dos prédios da Teodoro Sampaio um OUTRO ARCO IRIS multicolorido. Que dia, pensei. Vou para casa tomar um banho e relaxar. Ainda bem que relaxei. Mas relaxei tanto, tanto, que quando aconteceu o terremoto de mais de 5 pontos na escala Richter, eu estava de moleton branco, no sofá, vendo um filme francês e pensei: os ônibus estão caprichando hoje, chacoalham a casa toda quando passam.O chão pantanoso da várzea de Pinheiros parecia gelatina.Chega de surpresas. Minha filha me disse que sua escrivaninha também sambou para valer. Dito e feito: o dia que começou com um, dois, três arco-íris, terminou com um terremoto, e de lambuja ainda curti uma chuvinha de pedras no meio da tarde. Simples: é só ler o sinais.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Pequenas Epifanias





Sigo na minha tarefa insana e ao mesmo tempo deliciosa de selecionar textos do Caio para o "Jardim das Letras", exposição literária que estou organizando sobre ele para o próximo Congresso de Prevenção da Aids do Ministério da Saúde.
Relí ontem a crônica "Pequenas Epifanias", que fará parte da seleção de textos da exposição. Uma pequena jóia:

"Há alguns dias, Deus - ou isso que chamamos tão descuidados, de Deus -, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer - eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal - não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina.
Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.Por trás do que acontecia, eu re - descobria magias sem susto. E de repente me sentia protegido você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa.Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra face que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.
Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarisse Lispector - Tentação – me veio à cabeça estonteada de encanto: 'Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível'. Cito de memória, não sei se correto.
O conto fala do encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir um não.A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não pedir.
Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou - descuidado, também - em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus, como pequenas jóias encravadas no dia a dia.Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania.
Em seguida vieram: o tempo, a distância, a poeira soprando.Mas eu trouxe desde lá, a memória de qualquer coisa macia, que tem me alimentado, nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos.Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."
Touché.

sábado, 12 de abril de 2008

Jung & Caio Fernando Abreu


Há cerca de 4 anos estou trabalhando num livro, "Para sempre teu, Caio F.", biografia comentada do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, através da correspondência que trocamos durante 20 anos, e que deve sair no ano que vem. Trabalho insano e apaixonante, esse, o de escrever. Sou historiadora, jornalista, apresentadora de TV (ufa!) faço colagens e escrevo livros. Gulosa ou multimídia demais?
Ah well, os dois: gosto de fazer de tudo um pouco nessa fase, digamos, madura, da vida. Quando chegamos aos 50 é hora de ir atrás dos talentos e tesões que descobrimos na juventude e nunca tivemos tempo de exercitar aos 30, ocupados que estávamos com o sucesso da nossa "carreira".
Exercitar novas artes depois dos 40 é uma idéia de Carl Gustav Jung, discípulo, amigo e finalmente desafeto de Freud. Jung, o criador da psicanálise, decidiu, no meio da vida, construir com as próprias mãos uma casa de pedra às margens do lago de Zurique.
Ele chama a meia idade de metanóia, uma espécie de perda de identidade que gera insegurança; não é à toa que a grande maioria se joga em tinas de botox , pratica o estica e puxa e coleciona namoradinhos com a metade da nossa idade, atrás da tal juventude perdida. Meia idade, diz Jung, não é uma busca frenética do que fomos e deixamos de ser, mas uma oportunidade renascer e se renovar para viver a segunda metade da vida.
O tema é bom, e no ano passado a editora Paulus lançou uma tradução minha: "No meio da Vida, uma perspectiva jungiana" do psicanalista americano Murray Stein que fala justamente desse tema. Se o assunto te interessa, dá uma olhada.
Voltando ao querido Caio, estoufinalizando o livro e envolvida com a curadoria do "Jardim das Letras", uma exposição literária misto de homenagem a ele que vai acontecer em Florianópolis, em Junho, no Congresso de Prevenção da Aids do Ministério da Saúde. Por conta disso tenho tido acesso a muito material sobre meu amigo. Recebi esse video hoje.
Amanhã tem mais.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Day, Apple, & 1984

Abaixo, imagens de Jay, de camisa clara, ao meu lado no sofá, e Fernando diante do quadro de Jim Dine, em NYC, 1983.
No dia 23 de Abril, faz seis anos que Jay Chiat morreu, deve ser por isso que tenho pensado tanto nele. Falamos algumas vezes ao telefone nos anos antes de sua morte, mas a última vez em que estive com ele ao vivo em cores foi em 1985 quando eu voltava do Japão e me hospedei na casa dele em NYC. Nunca estive num lugar tão especial:uma firehouse dos anos 20/30 adaptada para o elegante lofty style dos 80. Firehouse é uma estação de bombeiros de tijolinho aparente (brownstone) com aquela garagem enorme onde ficavam os caminhões vermelhos e o pole de latão por onde os rapazes desciam para não perder nenhum minuto. Estava tudo lá, intacto, mas o apê não podia ser mais sofisticado. Pisos de hardwood, um loft completamente aberto no primeiro andar onde a cozinha de granito preto abrigava geladeiras com portas de vidro e uma permanente oferta de champagne gelada, sushis, pastas, saladas etc, preparadas por um chef. Um amplo lounge de estar e jantar com móveis de Alvar Aalto e Saarinem e muitas obras de arte. Além de arte, Jay adorava arquitetura e encomendou vários projetos a Frank Gehry, bem antes dele ficar famoso... A suite master tinha teto retrátil, para dormir e sonhar olhando as vagas estrelas da Ursa Maior. O piso do banheiro em granito branco era aquecido. Sexy e charmoso. O quarto de hóspedes ficava no mezzanino. Cheguei cansada de LA, decidi não sair à noite e Jay me incluiu num jantar íntimo, em casa. Éramos apenas Jay e a namorada , eu e um outro casal bem interessante: o rapaz era alto, moreno, de óculos e a moça, uma jovem modelo, linda. Na época eu era editora da revista Around e quando perguntei ao rapaz o que ele fazia, ele me disse casualmente "I am into computers". Não me aprofundei mais na questão, mas fiquei encantada com as duas garrafas de Chateau D'Yquem que ele trouxe para salientar o sabor da sobremesa. Quando o casal saiu, Jay me contou que eu havia passado a noite conversando com Steve Jobs, da Apple McIntosh. A moça era Lauren, com que ele se casou pouco depois.Fiquei muito brava dele não ter me avisado antes, mas hoje admito que Jay estava certo. Se tivesse me dito quem era o moço eu teria passado a noite entrevistando-o para a revista. Gente famosa e esperta que não precisa de publicidade aprende logo a driblar os jornalistas, essa raça de gente incoveniente, myself included, in those days. Foi nessa ocasião que a Chiat/Day criou um filme super premiado, que fez história, para a campanha de lançamento do computador Apple. Jay era genial. Veja aqui: www.youtube.com/watch?v=R706isyDrqI

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Coração de papel

Detalhe da tela"Four hearts".
Gosto de pintar corações desde 1997, quando aluguei um atelier em South Boston. Uma das mais belas obras de arte de vi na casa do Jay em NYC foi um coração de mais de 2 metros de altura, cor de rosa, do Jim Dine, um dos grandes pintores norte americanos contemporâneos. Ele vive há muitos anos na Califórnia, nasceu em Ohio em 1935, e adora pintar roupões coloridos, corações, jardins e imagens do Pinóquio. Em 9 de Junho vou expor alguns corações no Empório São Roque, a convite do curador do espaço, o Black Linhares. Quando chegar mais perto vou convidar todo mundo . Aguardem!