sexta-feira, 11 de abril de 2008

Day, Apple, & 1984

Abaixo, imagens de Jay, de camisa clara, ao meu lado no sofá, e Fernando diante do quadro de Jim Dine, em NYC, 1983.
No dia 23 de Abril, faz seis anos que Jay Chiat morreu, deve ser por isso que tenho pensado tanto nele. Falamos algumas vezes ao telefone nos anos antes de sua morte, mas a última vez em que estive com ele ao vivo em cores foi em 1985 quando eu voltava do Japão e me hospedei na casa dele em NYC. Nunca estive num lugar tão especial:uma firehouse dos anos 20/30 adaptada para o elegante lofty style dos 80. Firehouse é uma estação de bombeiros de tijolinho aparente (brownstone) com aquela garagem enorme onde ficavam os caminhões vermelhos e o pole de latão por onde os rapazes desciam para não perder nenhum minuto. Estava tudo lá, intacto, mas o apê não podia ser mais sofisticado. Pisos de hardwood, um loft completamente aberto no primeiro andar onde a cozinha de granito preto abrigava geladeiras com portas de vidro e uma permanente oferta de champagne gelada, sushis, pastas, saladas etc, preparadas por um chef. Um amplo lounge de estar e jantar com móveis de Alvar Aalto e Saarinem e muitas obras de arte. Além de arte, Jay adorava arquitetura e encomendou vários projetos a Frank Gehry, bem antes dele ficar famoso... A suite master tinha teto retrátil, para dormir e sonhar olhando as vagas estrelas da Ursa Maior. O piso do banheiro em granito branco era aquecido. Sexy e charmoso. O quarto de hóspedes ficava no mezzanino. Cheguei cansada de LA, decidi não sair à noite e Jay me incluiu num jantar íntimo, em casa. Éramos apenas Jay e a namorada , eu e um outro casal bem interessante: o rapaz era alto, moreno, de óculos e a moça, uma jovem modelo, linda. Na época eu era editora da revista Around e quando perguntei ao rapaz o que ele fazia, ele me disse casualmente "I am into computers". Não me aprofundei mais na questão, mas fiquei encantada com as duas garrafas de Chateau D'Yquem que ele trouxe para salientar o sabor da sobremesa. Quando o casal saiu, Jay me contou que eu havia passado a noite conversando com Steve Jobs, da Apple McIntosh. A moça era Lauren, com que ele se casou pouco depois.Fiquei muito brava dele não ter me avisado antes, mas hoje admito que Jay estava certo. Se tivesse me dito quem era o moço eu teria passado a noite entrevistando-o para a revista. Gente famosa e esperta que não precisa de publicidade aprende logo a driblar os jornalistas, essa raça de gente incoveniente, myself included, in those days. Foi nessa ocasião que a Chiat/Day criou um filme super premiado, que fez história, para a campanha de lançamento do computador Apple. Jay era genial. Veja aqui: www.youtube.com/watch?v=R706isyDrqI

2 comentários:

Unknown disse...

Gostei do blog, principalmente porque se abre com aquele quadro magnífico que estava no ateliê. Vou divulgá-lo a meus amigos.

longoeu disse...

boas entradas na blogosfera.
belas estórias, músicas e artes.
parabens e boas viagens.

sugiro permitir comentarios de anonimos, tbem.
visita http://vileardi.blogspot.com/
bjs
Eduardo